Chega de impunidade

Ainda guardo comigo a lembrança amarga do abraço dado em meu amigo de infância e colega de profissão Nadir de Sousa na tarde de 26 de abril do ano passado.
Abraço apertado, emocionado e entre lágrimas.
Eu chegava em sua fazenda, em Gameleira de Goiás, à tarde, para o velório de sua mãe, Maria José Santos Morais.
Na noite anterior, impiedosamente, ela fora assassinada com dois tiros, um na nuca e outro na cabeça.
Não me sai da lembrança o semblante triste de meu amigo e sua exclamação: - “ Célio, a notícia hoje foi a morte de minha mãe.”

Um ano se passou e os assassinos de Dona Maria ainda estão soltos, quem sabe convivendo entre a gente boa e ordeira de Gameleira de Goiás.
A impunidade revolta. A lentidão do inquérito, as falhas na lei, revoltam.
Diligências foram feitas, prisões foram efetuadas, mas de concreto nada.
Quem matou Dona Maria está livre.
Nada vai tirar a dor ou diminuir a saudade dos filhos, do esposo, dos amigos.
Mas é preciso fazer justiça e colocar na cadeia os assassinos.
Chega de impunidade.

5 respostas para “ Chega de impunidade ”

  1. Cleverlan do Vale disse:

    Concordo plenamente Célio!

  2. André disse:

    Tive o prazer de conviver com a dona Maria José e com toda a sua família por dois anos, quando namorei com a filha caçula dela, Nara.

    Acho que até hoje a ficha não caiu porque ainda não estive em Silvânia. É algo tão absurdo e inacreditável que, desgraçadamente, dado o mundo em que vivemos, só pode mesmo ser verdade.

    Dói um bocado pensar nisso.

  3. rubens vieira silva disse:

    Lembro-me o quanto ela era amável, sorridente, boa mãe e esposa. Como o André bem disse, algo inacreditável.

    Quanto à apuração dos fatos até chegar-se à autoria, observa-se a flagrante falência do Estado (País e mesmo Goiás), onde um inquérito policial, estando o réu solto, tem prazo de 30 dias para sua conclusão.

    Aqui em Silvânia e em outros cantos do Estado, tem inquérito que já completou um ano e ainda não foi concluído. A culpa, aí, não seria apenas do Judiciário lento, mas também decorrente da demora nas Delegacias de Polícia, onde um Delegado atende a inúmeros municípios.

    Numa Justiça onde falta em em seu aparelho desde o Delegado de Polícia até o Juiz de Direito, que Direito prevalece? Os dos criminosos!

  4. eliseu tiliza disse:

    Doi muinto em nosso coração,pois eu tive o prazer de conviver com dona maria e toda sua familia,ela era nossa mae juntamente com seu filhos era assim que a tra tavamos.

    para o bem e a confiança que temos na nossa justiça é melhor que seja solucionado e preso os culpados.

  5. rb disse:

    CONHEÇO BEM O NADIR E COMPADEÇO DO SEU SOFRIMENTO, SOBRETUDO ANTE AS CIRCUNSTÂNCIAS QUE CARACTERIZARAM O FALECIMENTO DE SUA MÃE. ESTE, E OUTROS MUITOS FATOS, INCLUSIVE QUANDO OCORREM NO MEIO RURAL, NOS ASSUSTAM QUANTO AO FUTURO A QUE CHEGARÁ A VIDA DE TODOS NÓS. AOS POUCOS QUE SE DIGNAM EM CUIDAR DA PRODUÇÃO RURAL, N´UM PAIS CADA VEZ MAIS URBANIZADO, RESTA A INSEGURANÇA QUE DEIXOU DE SER APENAS NOTURNA PARA SER PERMANENTE. SOMOS SURPREENDIDOS E O QUE FAZER? QUEM VAI FICAR NA ROÇA E AGUENTAR TODO ESTE RISCO E DEPOIS AINDA SER TAXADO DE RICO POR SER PRODUTOR RURAL????

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